
1947 · Olaria, Rio de Janeiro · 2022
27 de setembro de 1947 — 6 de setembro de 2022
Advogada. Ativista. Rorarni.
A primeira mulher cigana a conquistar um diploma em Direito no Brasil — e que nunca parou de lutar.
Quem foi Mirian
Nascida em Olaria, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Mirian Stanescon Batuli cresceu nos acampamentos itinerantes da Baixada Fluminense. Filha de Bibi Lhuna — Lhuba Stanescon, a "Rainha dos Ciganos" —, herdou a autoridade matriarcal do clã Kalderash e a transformou em arma jurídica. Quando a maioria das crianças romani sequer chegava à escola, ela obteve o diploma de bacharel em Direito, tornando-se a primeira mulher cigana a concluir um curso universitário no Brasil.
Sua trajetória atravessa décadas de luta simultânea em duas frentes: contra o anticiganismo da sociedade e contra o machismo dentro da própria comunidade. "Se a natureza pegou o pedacinho de carne que ia botar no meio das minhas pernas, transformou em miolos e colocou na minha cabeça — o que posso fazer?", ela dizia, desarmando críticos com um único sorriso. Mirian foi, acima de tudo, uma ponte entre dois mundos — sem trair nenhum dos dois.
Anos 1970
Primeira mulher romani a obter diploma em Direito no Brasil — quando a maioria das ciganas sequer concluía o ensino básico.
2003
Fundou no Arpoador o 1º templo a céu aberto dedicado à santa padroeira romani na América Latina — o 2º do mundo.
2007
Coordenou e redigiu a publicação oficial da SEDH/Presidência da República — o marco legal definitivo dos direitos romani no Brasil.
Nasci em 1947, em Olaria, Rio de Janeiro. Meu nome cigano é Rorarni e meu nome português é Mirian. E desde que me entendo por gente, nunca aceitei que me dissessem onde eu podia ou não podia chegar.
— Mirian Stanescon Batuli · Rorarni